quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A inversão de valores na sociedade pós moderna

A globalização vem provocando profundas transformações na organização política, econômica e social no mundo atual, ocasionando por um lado um rápido avanço tecnológico, e por outro lado um aumento alarmante das desigualdades sociais, tendo como conseqüência, um aprofundamento da exclusão social principalmente nos paises periféricos, com a retração do Estado no que diz respeito, as políticas sociais, em investimentos e verbas públicas.
As mudanças estruturais ocorridas nesta nova ordem que se estabelece vem demonstrando um novo perfil da sociedade, criando novos padrões, invertendo valores morais, provocando o distanciamento dos seres humanos como criaturas afetivas estimulando a competição e o individualismo.
Dentro deste processo, as informações chegam em tempo real, em qualquer parte do mundo, seja nas comunidades ditas mais “avançadas”, ou nas mais subdesenvolvidas, um paradoxo que se iguala apenas nos interesses econômicos de mercado, onde este tem a pretensão exclusiva de atingir o consumidor. Surgem a todo instante novos produtos, novas marcas e novas necessidades materiais impostas pelo capitalismo, através de uma mídia, que cria, recria e destrói, ídolos e mitos, a todo instante sem nenhuma preocupação com algum tipo de valor ético, ou algum conteúdo didático que possa contribuir para a formação do indivíduo e sim o estímulo ao consumismo indiscriminado, aumentando o lucro do capitalista.
O que deveria representar, realmente um avanço significativo para a humanidade em termos de informação e cultura, podendo servir como coesão social, politização dos indivíduos, e o cultivo do homem como ser intelectual, através dessa avalanche de informações, acaba por surtir um efeito totalmente revés, onde as informações geralmente são tendenciosas atendendo a uma ideologia capitalista, estimulando o conformismo e a imobilidade social através da sensação de progresso.
Nas escolas pouco se estimula o senso crítico de nossas crianças, na TV, não se vê programas que agucem a necessidade de se exercer a cidadania, o respeito ao próximo, ou a valorização da família, e sim propagandas estimulando o tal “voluntariado”, somos bombardeados hodiernamente por, informações na Internet, de conteúdos preconceituosos, por produtos “top de linha”, ou você compra, ou você fica excluído do sistema, juntamente com novelas de temática duvidosa onde a “grana” é mais importante do que tudo, do que a própria vida, onde matar por motivo torpe, se tornou algo natural, ocasionando a banalização da violência. A qualidade da maioria das músicas que adentram nossos lares através das rádios, é da pior qualidade possível, com apelos sexuais, erros grotescos de Português, e às vezes apenas o refrão repetido exaustivamente compõem a melodia, embora, esses compositores não tenham culpa, afinal muitos não tiveram uma boa educação de base também, sendo fruto desse sistema, e muitos não nasceram com o dom da poesia, já que ser poeta é algo inerente ao ser, esses músicos tornam-se também, um produto descartável nas mãos de grandes produtores da indústria fonográfica, que criam modismos a cada estação do ano, tudo se inter-relaciona a música de má qualidade, reflete na sociedade decadente em que vivemos, uma verdadeira “pornô-chanchada”, a sociedade reflete na qualidade das músicas que ouvimos, na violência das letras, na violência das ruas, e o povo meu Deus! Gosta.
A tão sonhada liberdade de expressão possui hoje, como entrave, justamente a falta de educação de base do nosso povo. O golpe militar de 1964 deixou seu legado negativo, embora naquela época cantores intelectuais utilizavam-se de um microfone como uma arma poderosa contra a repressão, através de belas canções de cunho social e político, com poesias e metáforas para fugir da censura, e poder externar suas revoltas e indignações, ao contrário hoje temos a “liberdade de expressão” sem voz ativa, sem dispor de um olhar crítico, capaz de interpretar, o nosso contexto atual, hoje é facilmente cooptada pelos meios de comunicação e por interesses políticos-partidários que nos impõe sorrateiramente, sua ideologia e “engolimos a labuta” sem sonhar!“o sonho impossível”, sem perceber, ainda tomamos Coca-cola para melhorar na digestão, ou encontramos a “felicidade” no Mc Donalds, nós nos importamos mais com a vida dos artistas da TV, ou da personagem, do que com a nossa própria vida, ou com o nosso semelhante que não tem o que comer, e nos falta educação para refletirmos a nossa existência, o nosso fim útil, e a nossa atual condição política, nos falta educação até para sonhar.
E “pra não dizer que não falei das flores!”, esses vinte anos de atraso, social, econômico e político que representou, a ditadura militar, de saudade mesmo, só as boas canções que se ouvia, (não a dos quartéis), e sim os grandes clássicos da nossa música popular compostas naquela época, e que se eternizaram após esse período negro e triste da nossa história.
A inversão de valores chega a assustar principalmente pela velocidade voraz e pela naturalização, de coisas que antes, seria capaz de chocar a sociedade. A família perde seu papel fundamental na formação do indivíduo, até mesmo porque as famílias se encontram desestruturadas, o alicerce desestruturado põe em risco toda a construção social.
É tal fácil à gente ouvir por aí as pessoas dizendo: “a culpa é dos pais!”, mas, os pais não tiveram pais, não tiveram paz, não tiveram um País, e o nosso problema é estrutural, vejamos a nossa história de exploração, escravidão e corrupção, constituindo um povo hoje com baixa escolaridade, com um racismo disfarçado, com uma exclusão social latente, um povo descrente de tudo, com uma falsa auto-estima que lhe é atribuída pela mídia,(sou brasileiro não desisto nunca) quem tem um poder de compra, seja lá em quantas prestações for, se sente aceito, pelo sistema que “aparta”, os miseráveis desse processo, mas que não poderá jamais nos impedir de nos indignarmos, e só através dessa indignação poderemos reavivar a mobilização social tão enfraquecida por essa política neoliberal, e lutarmos pelos direitos democráticos, e termos voz ativa, capaz de um dia reverter esse quadro negativo de inversão de valores, que vem afetando e corrompendo toda nossa sociedade, e transbordando, os meios de comunicação com futilidades, retardando o nosso pensar, nos transformando em uma peca sem importância, sem valor, dessa máquina capitalista, sem sentimentos, sem solidariedade,sem respeito e sem amor ao próximo.
Segundo o filósofo mais conhecido da China antiga, Confúcio; a organização social deveria basear-se na disciplina familiar, já que ele venerava bastante os antepassados e as antigas tradições, desta forma observamos o oposto acontecendo em nossa sociedade pós-moderna e o caos que vem se transformando as relações sociais e principalmente na falta de respeito ao próximo.


Jóstenis Costa Assistente Social

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