quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Violência um enfoque no Brasil

A violência humana, um enfoque no Brasil, por Jóstenis Costa

Relatos sobre a violência são tão antigos, quanto à própria historia da humanidade. O conceito de violência pode abranger um entendimento vasto, diversos filósofos tentaram compreender este fenômeno.
Segundo Marx a luta pelo poder e a história de dominação de um povo sobre o outro é determinada pela violência, para ele a história da humanidade é a própria história da violência.
Esta interpretação parte de antagonismos sociais, divergências do pensar, intolerância religiosa e entre os povos, tudo podendo caracterizar a violência, embora se aprofundarmos em outros aspectos não menos relevantes, constatando em fim diversas vertentes sobre este assunto, veremos claras contradições.
Para o filósofo Jean Paul Sartre, a violência é fruto da escassez, mas os relatos Bíblicos demonstram a violência sendo fruto dos sentimentos humanos, inveja, ciúme, cobiça, como por exemplo: Caim mata seu irmão Abel por inveja, o que podemos inferir a violência, ligada à essência humana, a violência como algo inerente ao homem.
Existem vários tipos de violência, a própria palavra violência, já reporta a intenção de “violar”, impedir o direito de alguém. No Brasil fica evidente que os índices de violência está diretamente ligado a este tipo de violação dos direitos, principalmente quando existe uma má distribuição de renda, totalmente desigual, e excludente, que marginaliza os indivíduos.
A violência para muitos está associada à pobreza, o que não é verdade, um bom exemplo disso, é a Índia onde a maioria é pobre e os índices de violência são baixos. A falta de oportunidades, a desigualdade social, e a exclusão, são fatores determinantes para o aumento da violência na vida em sociedade.
A história do nosso País foi marcada pela violência desde o período colonial e na formação do nosso povo. Inúmeras tribos indígenas foram dizimadas violentamente pelos nossos colonizadores, a nossa miscigenação, marcou outra faceta da violência, a violência sexual dos portugueses com nossas índias e negras escravas, que se deitavam contra a sua própria vontade com os senhores de engenho, o racismo também se arraigou na nossa cultura, como uma sórdida forma de violência.
A maneira abrupta com que foi imposta a religião dos europeus, obrigando os escravos a cultuarem os santos da Igreja Católica, e a proibição dos ritos africanos, pode-se dizer que o sincretismo religioso foi uma forma encontrada pelos africanos para resistirem com as suas religiões e fugirem da violência do tronco e do acoite.
Os vinte anos de ditadura militar no Brasil, “os anos de chumbo”, foram caracterizados por perseguições, violações dos direitos a liberdade nas suas mais diversas expressões, direito de ir e vir, atrocidades, torturas, e mortes.
Hoje em especial é a violência das privações dos direitos, privar uma criança, de ter um lar, de possuir uma família, de receber educação, de ter o que comer, privar um homem de ter um trabalho e poder alcançar sua emancipação, tudo isso é violência, é a violência da falta de dignidade. É esta violência que acaba por gerar as demais formas de violência contra o ser humano.
A política econômica do nosso País nos últimos anos sempre teve como enfoque principal o desenvolvimento econômico, com pouca preocupação com os níveis de pobreza, provocando o crescimento desigual, com políticas sociais setoriais minimalistas servindo apenas para atenuar os conflitos e desmobilizar as massas carentes, evitando assim um enfrentamento, visando a hegemonia da ideologia capitalista.
Bolsões de miséria se instalaram pelo País a fora, em especial nos grandes centros urbanos. Nas grandes cidades essa concentração populacional fruto do êxodo rural, decorrente da industrialização, contribuiu significativamente para o “inchaço” das periferias, que cresceram desordenadamente.
Sem políticas de infra-estrutura, favorecendo o aparecimento de moradias subnormais, para uma camada mais pobre da população exposta às adversidades, o desemprego, o analfabetismo, a vulnerabilidade das crianças e adolescentes, ao uso de entorpecentes, a falta de renda e de perspectiva contribuindo assim para o aumento da violência urbana.
Hoje em dia milhares de pessoas vivem nas periferias em condições de extrema pobreza, sem acesso aos direitos básicos, com baixo grau de escolaridade em sua maioria, confrontando com inúmeras dificuldades e contrastando com uma outra parcela da sociedade “bem nascida” pertencente a uma casta social, assistida em seus direitos, e que por muito tempo olhou de forma indiferente para os excluídos, atualmente também são vítimas da própria indiferença que ajudaram a construir, dos próprios filhos pertencentes a esta “casta”, que não souberam educar e do descaso que plantaram no passado.
Os índices alarmantes da desigualdade social no nosso País, reflete como um entrave para o crescimento econômico da nação, investir em políticas públicas, de reparação social torna-se medida emergencial indispensável, reverter verbas, gerir recursos para a diminuição da desigualdade e fim da miséria, talvez seja um passo importante para a redução da violência.
E o passo mais importante de todos será acabar com a impunidade que permite aos políticos corruptos, desviarem diariamente milhões dos cofres públicos, que deveriam ser destinados ao enfrentamento das questões sociais, investimentos na segurança pública, e a criação de leis mais severas, para acabar com a maior de todas as violências a violência praticada pelos políticos corruptos.

Jóstenis Costa – Assistente Social , Pós-graduando em Saúde pública


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